O acorde B7 assusta muita gente no começo, mas é justamente ele que dá a sensação de “volta ao lar” quando você toca em tonalidades de Mi (E). Está no coração do blues em E, aparece o tempo todo na MPB como dominante de E e, quando bem montado, abre portas para ritmos e levadas mais maduras. A proposta aqui é simples: em uma semana, você sai do “travo” para a fluidez, com um plano direto ao ponto.
Como montar o B7 aberto (posição clássica)
Use este desenho (da 6ª para a 1ª corda): X 2 1 2 0 2.
6ª corda (E grave): não toque (X).
5ª corda (A): 2ª casa com o dedo 2 (médio).
4ª corda (D): 1ª casa com o dedo 1 (índice).
3ª corda (G): 2ª casa com o dedo 3 (anelar).
2ª corda (B): solta (0).
1ª corda (E aguda): 2ª casa com o dedo 4 (mínimo).
Dica de ouro: trate o dedo 2 na 5ª corda como “pivô”. Ele estabiliza a mão e facilita as trocas para E, A7 e F#7.
Erros comuns e correções rápidas
Soar a 6ª corda por engano: encoste suavemente a ponta do polegar da mão esquerda na 6ª corda ou incline o dedo 2 para abafá-la.
Notas “chorando” (trastejando): traga a ponta dos dedos mais perto do traste, pressione só o suficiente e mantenha o punho levemente avançado para deixar os dedos mais verticais.
Troca lenta para E: mantenha o dedo 2 (pivô) na 5ª corda enquanto levanta os outros; o E “nasce” dessa âncora.
Plano de 7 dias
Dia 1 – Montagem limpa: monte e desmonte o acorde 50 vezes, devagar. Toque corda por corda e corrija qualquer nota morta. Grave 2 minutos de arpejos lentos.
Dia 2 – Trocas E ↔ B7: metrônomo a 60 bpm. Um compasso de E, um de B7, por 5 minutos. Foque em levantar e pousar a mão como um bloco, mantendo o dedo 2.
Dia 3 – A7 → B7 → E (cadência clássica): pratique quatro tempos de A7, quatro de B7 e quatro de E. Repita por 10 minutos. É a base do blues e de muitas levadas de samba/bossa.
Dia 4 – Ritmo shuffle e acentuação: ainda em E, use um shuffle simples (1-uh 2-uh 3-uh 4-uh). Acentue levemente os tempos 2 e 4 com a mão direita. Troque entre E, A7 e B7 sem quebrar o pulso.
Dia 5 – Clareza e abafamentos: treine abafamento com a lateral da palma (palm mute) em batidas para controlar o grave. Intercale compasso limpo e compasso abafado.
Dia 6 – Aceleração gradual: suba o metrônomo: 60 → 72 → 84 → 96 bpm. Se perder limpeza, volte um passo. A prioridade é soar nítido.
Dia 7 – Musicalidade: toque 5 minutos de um blues de 12 compassos em Mi e 5 minutos de uma progressão II–V–I em E (F#m7 → B7 → Emaj7). Grave e avalie: a 6ª corda está sob controle? As trocas estão redondas?
Variações que valem o treino
B7 (A-shape, com pestana leve): x 2 4 2 4 2. Raiz na 5ª corda. Ótimo para levadas funk/samba por causa da simetria da mão.
B7 (E7-shape com pestana no 7º traste): 7 9 7 8 7 7. Soa firme e “cheio”; bom para riffs entre vozes.
B7(b9) aberto: x 2 1 2 1 2. Troque a 2ª corda solta por 1ª casa (nota Dó). Excelente para resolver em Em com um toque mais brasileiro.
Aplicação musical imediata
Experimente este esqueleto de 12 compassos em Mi (cada barra = 1 compasso):
E | A7 | E | E | A7 | A7 | E | E | B7 | A7 | E | B7
Toque primeiro em semínimas (batida por tempo), depois em shuffle. Comece a 72 bpm, estabilize por dois minutos, e então suba a velocidade.
Microtécnicas que aceleram o progresso
Economia de movimento: dedos 3 e 4 devem pousar quase juntos; treine o “pouso duplo”.
Ângulo do punho esquerdo: um pequeno avanço do punho libera as pontas dos dedos e evita encostar em cordas vizinhas.
Respiração rítmica: inspire nos tempos fracos, expire nos fortes; isso estabiliza a mão direita.
Prática intercalada: 3 minutos de montagem, 3 de trocas, 3 de ritmo. Ciclos curtos mantêm foco e reduzem tensão.
Recursos visuais e guia rápido
Visualize a distribuição dos dedos e confira se suas notas soam claras.
Precisa de um lembrete rápido do formato? Guarde este atalho: B7.
Fechando
Dominar o B7 é menos sobre força e mais sobre organização da mão e constância. Em sete dias de prática direcionada, você deve sentir as trocas mais leves, o ritmo mais estável e o som mais limpo. A partir daí, é colocar o acorde para trabalhar: blues em E, cadências II–V–I e introduções que pedem aquele “puxão” de dominante que só o B7 entrega.
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